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A periferia também quer uma vida sem catracas

Por Andreza Delgado

A Semana do dia 19 a 25 de outubro, foi uma semana de lutas e atividades na periferia, a luta por um transporte digno, sem tarifa e sem cortes nas linhas de ônibus, tem sido construída na perifa , protestos no M’ BOI MIRIM, CAMPO LIMPO e GRAJAÚ marcaram essa semana, a população tem vivido uma onda de cortes em linhas muito importante, terminais super lotados, o suor de cada dia gerando lucro e mais lucro para os empresários do transporte, que para variar não dão  a mínima para a situação dos usuários.

As catracas sejam elas dos terminais, Grajaú, Campo Limpo, Capelinha, Varginha, Santo Amaro e tantos outros da zona Sul ou dos ônibus, tem sido sim um fator de exclusão da população da periferia, mas um dos fatores que desencadeiam essa luta são os cortes de linhas importantes para o trabalhador, o sufoco de ter que parar em um terminal para girar a catraca novamente, pagar outra condução, ter que passar por mais uma etapa desnecessária para chegar ao seu trabalho, escola, curso.

Ato Grajaú

Infelizmente como visto em junho, com a luta se vem a repressão da parte daqueles que estão ai para servir e proteger, o protesto no Grajaú (dia 23) e no Centro (dia 25) foi marcado por muita violência e repressão da parte da PM, que prendeu inúmeras pessoas sem motivo plausível, moradores do Grajaú, crianças, integrantes do movimento passe livre e da rede extremo sul, até a bateria  que tocava no protesto foi detida e teve seus instrumentos quebrados.

Ato no Centro

Mas a  periferia não desiste tão fácil, infelizmente essa repressão não é novidade nenhuma, e como diz o poeta periférico Sérgio Vaz, aqui a bala não é de borracha, mas nós mandamos um recado para o senhor Alckimin e Haddad, quem derrubou o aumento da  tarifa, vai duplicar na M’ BOI, vai ter suas linhas de volta e tirar os termais que mais empata do que ajuda.

A perifa também quer uma vida sem catracas.

FONTES:
Luta pelo transporte extremo Sul
CMI- Brasil

Sobre o Autor: Andreza foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.

Conheça a wikirrepórter que mais se destacou na expansão Wikimapa 2013

Por admin

“Não acho que eu deva fazer parte do mapa oficial, todos devem fazer.”

Suellen Casticini tem 23 anos, é moradora de Morro Agudo, foi wikirrepórter no ano de 2013 para o Projeto Wikimapa e atualmente cursa Direção Teatral na UFRJ. Seu trabalho foi o  destaque desta fase do Projeto, juntamente com Léo da Treze também de Morro Agudo, Roberta Moura da Cidade de Deus e Thaís Cavalcanti da Maré. Em homenagem à sua dedicação, foi presenteada com o telefone celular utilizado para o mapeamento e uma caixa feita especialmente para ela.

Suellen – Conheci o Projeto Wikimapa através de uma rede social, (Facebook). Onde circulava um folder da seleção para wikirreportes do meu bairro, fiquei muito interessada com o projeto e resolvi enviar meus dados para a seleção, e aqui estamos.

Como começou sua história em Morro Agudo?

Suellen – Ao completar um ano de vida, meu pai resolveu presentear minha mãe com a tão sonhada moradia. Sou cria deste bairro desde então. Com o convívio direto com moradores da época do surgimento do bairro, conheci muitas histórias e particularidades daqui. Já na adolescência fiz meu Ensino Médio em uma escola estadual do local, onde conheci muitas pessoas e na qual foi importantíssima na minha formação e me colocou hoje na tão sonhada universidade federal. Ainda moro aqui, e não acredito que morarei em outro lugar, pois aqui é a minha casa.

Se pudesse prever, como seria o futuro de onde você mora?

Suellen – Acredito que o futuro não será agradável. Pode parecer pessimismo, e de alguma forma é, mas se eu pudesse prever. Penso que perderemos essa liberdade, na qual eu e meus amigos de infância tivemos, isso hoje por aqui já é algo raro. Os políticos, ao pacificar o centro e as zonas elitizadas, pensam em seu bem estar. Pois ao invés de combater o trafico e eliminá-lo, a meu ver, eles só remanejaram o traficante e seus crimes para a baixada, conseqüentemente maquiou o problema e veremos esses frutos no futuro.

Como você vê a representação que a mídia nacional faz do seu terrítório? E o cinema que, por sua vez, possui alcance internacional?

Suellen – Para a mídia o meu bairro não existe, ouço todos os dias nos noticiários assim: “mais um roubo/estupro/etc em bairro de Nova Iguaçu”, descubro que é meu bairro pelas letras miúdas que vem abaixo do nome do repórter. Ninguém sabe que aqui tem coisas boas também, temos cachoeiras, festas, costumes e até um vulcão, mas para a mídia o que vendo é “desgraças de um lugar desgraçado”. Por sua vez, o cinema, CINEMA? Isso nunca retratou uma estória, um fragmento desse bairro, mas até é justificado, um cineasta só se interessa falar o que conhece e gosta, e quantos cineastas são desse bairro? Município? Eu respondo, NENHUM!

Qual a sua visão do papel do Wikimapa diante das mudanças do seu território?

O projeto Wikimapa é uma ferramenta de disseminação, por possuir um público muito extenso. Pode dar a visibilidade e a importância que meu bairro precisa. Assim, incomodando aos que não se interessam por contar nossa história e a mudando o pensamento dos gestores publico para nos dá mais infra-estrutura, segurança e no mais que precisarmos.

Porque você acha que você deve fazer parte do mapa oficial?

Não acho que eu deva fazer parte do mapa oficial, todos devem fazer. Vivemos num país de liberdade de escolha e de expressão na teoria, enquanto a realidade na prática é outra, nesse país valemos o que possuímos, ou melhor, o que aparentamos possuir, ou contrário que somos. Acredito que essas iniciativas sociais ajudam a quebrar preconceitos e a trazer uma identidade de seres humanos e com direitos e respeitos como todos, Por isso penso que está no mapa, ser localizado é um direito de todos.

Alguém de fora da cidade deseja conhecer sua comunidade/bairro em um dia. O que você escolheria para mostrar? E por quê?

Se um “turista” viesse ao meu bairro, eu subiria com ele a SERRA DO VULCÃO e iria propor ele três possíveis passeios: 1ª) Uma CAMINHADA ECOLÓGICA QUE TERMINARIA NO PICO DO VULCÃO, 2ª) Ou que terminaria em CACHOEIRAS maravilhosas, e 3ª) Um VÔO de asa delta.Levaria ele lá, para mostrar esse lado bonito e paradisíaco que meu bairro possui, e tenho certeza que seria inesquecível.

A UPP já chegou no seu terrítório?

Não, E nem há previsão de vinda de UPP para onde eu moro, algo estranho pois segundo estudo recente Nova Iguaçu, consequentemente Morro Agudo é a terceira cidade onde morre mais negros e pardos do país. E para piorar, a pacificação das comunidades no Centro, está trazendo esses meliantes para a baixada, aumentando cada vez mais a criminalidade no meu bairro. Será que terão a mesma preocupação aqui, como têm no Centro? Acredito que todos nós sabemos a resposta, quem se preocupa como trabalhador.

Negra Livre

Por Andreza Delgado

Negra e Livre

Eu, mulher, mulher negra.
Negra Livre.
Livre dos senhorios.
Livre do tronco e de seus castigos.
Livre com meu cabelo crespo, e lábios grossos.
Que minha cor não seja mais sexualizada
Que meu cabelo crespo não seja motivo para ser perseguida.
Livre do machismo, livre do racismo.
Eu, mulher, mulher negra quero estar livre de todas as amarras do capital.
Eu, mulher, mulher negra não sou mercadoria.
Eu, mulher, mulher negra e livre.

Sobre o Autor: Andreza foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.

Jd. Rosana

Por Tainá Gomes

Como podem falar que podemos se sentir seguro nas nossas escolas?
é professores querendo dar aulas e alunos sem interesse algum
a forma poderia mudar pós sempre são as mesmas coisas todos os anos
talvez com este desabafo algo mude, ou não…
queremos aulas que dê vontade de interagir
professores com vontade de ensinar
que vá com bom humor, sem trazer problemas pessoais para nossa aula
se fosse assim as aulas seriam melhores nossos desempenho seria melhor também
APOSTILAS ? mal usamos, só são menos arvores e menos conteúdos
nem os professores conseguem entender oque se tem nas apostilas, por isso nem usam…
queremos do bom e do melhor, não é porque somos da periferia, que devemos nós contentar
com o pouco que nós dão, somos iguais a aqueles que estão em colégios particulares
recebendo um melhor ensino, os melhores uniformes e um ótimo material
QUEREMOS SER VISTOS!

Sobre o Autor: Tainá foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo em 2013.

Resgatando a História do Jardim Ângela e Região

Por Juliana Santos

Conhecer a história da região em que moram, hoje, denominada como o distrito da M`Boi Mirim ou Jardim Ângela. Refletir sobre os pressupostos dos diversos acontecimentos que envolvem o mundo passado e presente. Assim como aprofundar a compreensão e identificação dos acontecimentos históricos, cultural, político e econômico da nossa sociedade. Será permitido o aprofundamento destes estudos e novas conclusões sobre o que se esconde em seus atos como agente social.

Dessa forma, levando o educando a encontrar formas pessoais e coletivas de ações humanitárias com direito a cidadania, com respeitos as diferenças, valorizando as ações humanas do passado e presente, contra as desigualdades e discriminações de qualquer ordem.

Compreender as contribuições e compromissos do significado social, analisando as ações dos antigos moradores da Vila Remo e região, na busca por melhorias nos seus bairros ou comunidades, quando sua existência é encarada como missão. Assumir a própria existência e entender como fundamental reposta à promoção de todo aspecto verdadeiro humano e o reconhecimento de todas as pessoas numa verdadeira fraternidade.

DADOS GERAIS


Unidade de Planejamento Participativo 253

Distrito JARDIM ÂNGELA

Subprefeitura M´ BOI MIRIM

Sub-UPPs, 25301, 25302, 25303, 25304, 25305,

Área 4.58 km²

Densidade populacional 15.408.08 habitantes/ha²

Principais Referências Av. Alexandrina Malisano De Lima, Estr. M Boi-Mirim, Estr. Guavirutuba Jurisdição do Conselho Tutelar MBOI MIRIM Jurisdição da Vara da Infância e Juventude: II – Santo Amaro

Sobre o Autor: Juliana foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.

Por Andreza Delgado

Decidir não escrever muito hoje, decidir deixar uma letra de um RAP decifrar um pouco do que sinto com algumas questões aqui no Capão  e em tantas outras quebradas …

“Cada lugar uma lei eu tô ligado
Mas no extremo sul da Zona Sul tá tudo errado
Aqui vale muito pouco a sua vida
Nossa lei é falha, violenta e suicida
Se diz que não se revela
Parágrafo primeiro na lei da favela, legal
Assustador é quando se descobre que tudo deu em nada
E que só morre pobre
Agente vive se matando irmão. Por quê?
Não me olhe assim eu sou igual a você
Descanse o seu gatilho, descanse o seu gatilho
Entre no trem da malandragem
Meu rap é o trilho”

Fórmula Mágica da Paz, Racionais MC’s

Sobre o Autor: Andreza foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.

Maravilhosa pra quem?

Por wikimapa

“Rio pra Pan, Olimpíada e Copa, cadê o Rio para o Carioca?”

O Rio pra Quem surgiu com a necessidade de nós do Carta na Manga criarmos um canal de comunicação com a classe artística e com a juventude disposta a discutir o projeto de cidade do Rio de Janeiro.

Nossa proposta é criar um espaço participativo que vá além da exposição do trabalho artístico. O lance aqui é criar uma plataforma plural de vozes onde trocaremos idéias com pessoas sensíveis às mudanças que estão sendo implementadas na cidade. Afinal fazer arte independente num lugar cada vez mais desigual, segregado, autoritário e inflacionado pra caramba é extremamente difícil.

Aí pra não ficarmos resmungando sozinhos, resolvemos nos movimentar a fim de criar mais intercessões com a juventude da cidade, além de denunciar certas medidas que passam por cima dos direitos da população.

Sobre o Autor: O WIKIMAPA é um mapa virtual colaborativo voltado para o mapeamento de locais de interesse público (hospitais, escolas, comércios, praças, quadras esportivas, restaurantes, bares, entre outros) em comunidades de baixa renda e em quaisquer outros lugares do Brasil e do mundo, alimentado pelos mais diversos participantes, por meio do telefone celular ou internet.

Mulher com ‘P’

Por Tainá Gomes

” Prosseguimos Protestando
Pedindo Paz para a Pátria,
Punição pros poderosos,
Pão pros pequenos,
Pétalas,
Poder Popular,
Prosseguimos protestando
Pedindo principalmente
Poesia pra Periferia”
de:  Bruna Ribeiro

Sobre o Autor: Tainá foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo em 2013.

A BANCA

Por Juliana Santos

A Produtora Cultural Social A Banca é residente do Distrito do Jardim Ângela  foi formada em 2000 com o objetivo de realizar eventos e desenvolver a música e a cultura Hip Hop como ferramentas de inclusão Cultural-Social-Econômica para jovens em situação de risco.Desde o início de suas atividades, A Banca já realizou mais de 50 eventos gratuitos em espaços públicos na zona sul da cidade de São Paulo, nos quais se apresentaram 70 grupos musicais, beneficiando diretamente 20.000 pessoas. Além dos eventos, a produtora realiza outras atividades culturais como: oficinas de Dj, MC, ensaios abertos e intervenções culturais em espaços públicos.A partir do envolvimento com a cultura e a música, os jovens passam a enxergar o mercado de trabalho cultural como uma oportunidade: DJ, técnicos de som, organizadores, produtores de eventos, apresentadores. Esse é o caso de alguns jovens que passaram pelas atividades da A Banca, e que hoje trabalham na área cultural.

Sobre o Autor: Juliana foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.

Capão pecado

Por Andreza Delgado

Capão pecado é o nome da obra de Ferréz, figura muito conhecida no Capão, escritor poeta e uma das figuras importantes da literatura marginal ou literatura periférica, o livro que recebe o nome do nosso então bairro capão, trás diversas história, de personagens que tanto se enquadram em nossa realidade.
O livro é um dos grandes sucessos de Ferréz, que também é criador da loja 1 da Sul e residente do Capão,  o livro trás diversas  histórias de jovens periféricos, tentando concretizar seus sonhos, mostra os diferentes tipos de se  ‘viver’ e os diferentes jeitos de se ‘sonhar’ desses jovens. Mas como em quase toda história, existe sim, um personagem principal, e no capão pecado o foco da narrativa é Rael, bom moço que tem que viver e tentar se desvirtuar dos convites que a quebrada infelizmente faz, mas o enredo todo é bem convidativo, sem contar o foco de se onde o enredo todo se passa, e a riqueza de detalhes, uma das características de Ferréz.
O livro passou por polêmicas, dentre uma das causas,  os palavrões que existem no livro, mas polemico ou não, Capão pecado é um dos livros mais consagrados e importantes da carreira de Ferréz e da nossa história que está sendo escrita, nas mãos dos próprios residentes do capão.Pode parecer um pouco leviano da minha parte, mas Real chega a ser a personificação de muitos jovens da quebrada, que sempre está no corre pelo certo, e para sobreviver na selva de pedra.
Um salve para a nossa literatura periférica, um salve para quem fecha com ela.

Sobre o Autor: Andreza foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.