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Uma matéria especial sobre o Wikimapa

Por admin

Publicado em http://www.wirelessmundi.inf.br/index.php/edicao-no3/639-uma-ideia-na-cabeca-e-um-3g-na-mao em 2009

Rafaella Gonçalves para a Exposição #EncurtandoDistâncias de Francine Alnernaz

Todos os dias, a jovem Rafaela Gonçalves, de 21 anos, sai de casa pela manhã, com um celular 3G na mão, e começa a percorrer as ruas da comunidade onde mora – o Morro Santa Marta, no Rio de Janeiro. Ela tem uma missão: mapear as ruas e locais de interesse público da comunidade, que tem 54.692 metros quadrados de extensão e população estimada em 4.520 pessoas.
Rafaela é uma wiki-repórter, nome dado às jovens escolhidas para fazer o mapeamento de cinco comunidades de baixa renda do Rio de Janeiro, dentro de um projeto inovador baseado na combinação de recursos da terceira geração celular com o conceito de trabalho colaborativo (wiki). Batizado de WikiMapa, o projeto foi lançado no início de junho pela ONG Rede Jovem Comunitas, em parceria com o Programa Novos Brasis, do Instituto Oi Futuro. A ideia é criar um mapa virtual dessas comunidades – além do Morro Santa Marta, foram selecionados para o piloto do projeto o Complexo do Alemão, a Cidade de Deus, o Morro do Pavão- Pavãozinho e o Complexo da Maré –, mostrando não só suas ruas e praças, mas também serviços como escolas, quadras esportivas, bares e estabelecimentos comerciais em geral. “Muitas ruas e até comunidades inteiras, como é o caso do Santa Marta e do Pavão- Pavãozinho, não aparecem em serviços de mapas virtuais, como o Google Maps”, afirma Patrícia Azevedo, coordenadora estratégica do Programa Rede Jovem – Comunitas. “Estamos criando uma base geográfica de dados e colocando essas comunidades no mapa”, acrescenta.
Para isso, o wiki-repórter sai à rua com um celular 3G equipado com câmera digital (de foto e vídeo), GPS e um aplicativo móvel, também chamado WikiMapa, que funciona integrado ao site do projeto na internet (www.wikimapa.org.br). “Eu entro no aplicativo e ando a rua toda, com o celular na mão”, conta Rafaela. “Quando chego no final dela, dou o comando ‘terminar’ e então aparece o aviso de que a rua foi mapeada com sucesso.” A localização, captada pelo GPS do aparelho, é enviada para o site pelo próprio celular, em tempo real e na velocidade da rede 3G.
O trabalho de Rafaela também inclui o mapeamento de locais de interesse da comunidade. Ela faz fotos e entrevistas para colher informações sobre esses lugares – o que oferecem, horário de funcionamento e até um pouco da sua história. “Tem muita coisa que eu não sabia sobre a comunidade e muita gente que mora aqui também não sabe”, diz a jovem. Por exemplo: o Santa Marta tem uma farmácia que vende basicamente medicamentos genéricos, mas muitos moradores a comunidade não sabem da sua existência e acabam descendo o morro para comprar remédios – muitas vezes, pagando mais caro. As informações disponíveis no site do projeto – que tem uma versão para celular – podem ser consultadas e também editadas pela comunidade ou outros interessados, de acordo com o conceito de colaboração. É possível, por exemplo, acrescentar o mapeamento de novos locais ou editar pontos já mapeados. Além disso, o WikiMapa está integrado ao serviço de microblog Twitter, o que permite acompanhar as atualizações do site em tempo real.
Aplicações como essa, que usam a velocidade e os recursos avançados da tecnologia celular de terceira geração para melhorar a qualidade de vida da sociedade, ainda são muito poucas no Brasil. O principal motivo é que o 3G ainda é um serviço relativamente novo no país (tem menos de dois anos) e, por isso, ainda é caro e inacessível para boa parte da população. Além disso, a cobertura das redes 3G ainda está restrita a uma pequena parte do território nacional: até o início de agosto, ela chegava a 656 municípios (do total de 5.561 existentes no país) que concentram 64% da população brasileira, de acordo com o site Teleco. “As redes 3G ainda são muito jovens no Brasil, em relação ao mundo, onde a tecnologia foi lançada há sete anos”, pondera Ricardo Tavares, vice-presidente de Políticas Públicas da Associação GSM. Por esse motivo, enfrentam o desafio da cobertura (aliás, um desafio mundial, segundo ele), cuja expansão depende de investimentos das operadoras. Outra barreira importante a ser ultrapassada é a do custo – não só do serviço, mas também dos terminais de acesso à rede 3G. “Para ter 3G no celular, é preciso haver uma renovação do parque de aparelhos; para isso, os terminais precisam cair de preço no país”, afirma Tavares. “A mudança de base é fundamental para a introdução de novos serviços 3G.”
Em outras palavras, para ter acesso aos recursos das redes 3G, o usuário precisa trocar de celular – o que, no Brasil, ainda representa um investimento elevado para a maioria das pessoas. Esse é um dos motivos pelos quais o crescimento do 3G no país vem ocorrendo, principalmente, na base de terminais de dados – em particular, de minimodems USB que podem ser plugados no notebook, ou até mesmo no micro de mesa convencional. De acordo com os dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em junho, o Brasil tinha 5,5 milhões de acessos 3G, dos quais 1,9 milhão representados por aparelhos celulares e 3,6 milhões por terminais de dados. Em relação à base de 159,6 milhões de assinantes de telefonia móvel do país, alcançada em junho, os celulares 3G representam 1,19% do total e os minimodems (e outros tipos de terminais de dados), 2,26%.
“O minimodem vem atendendo à demanda reprimida por banda larga existente no Brasil”, diz Tavares. Um estudo realizado em março pela empresa de pesquisas e consultoria Yankee Group, em parceria com a Ericsson, confirma essa avaliação: segundo o levantamento, feito em três capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal), 51% dos usuários de serviços 3G não têm banda larga fixa em casa.
As operadoras móveis apontam esse fator como um dos principais motivos do sucesso das vendas de minimodems 3G no país. “A demanda, que começou nos grandes centros urbanos, hoje é enorme também em subúrbios e áreas que não têm outra opção de banda larga”, afirma Fiamma Zarife, diretora de Serviços de Valor Agregado (VAS) da Claro. “A rede sem-fio tem a vantagem de permitir atender rapidamente a demanda reprimida por banda larga no país”, acrescenta Fábio Freitas, gerente do segmento Pessoa Física da Vivo. Com esse objetivo, todas as principais operadoras de celulares vêm investindo na expansão da cobertura de suas redes 3G – bem como na ampliação, ou construção, da infraestrutura (backbone) que permitirá dar conta da explosão do volume de dados a ser transmitido por essas redes. Ao mesmo tempo, começam a se movimentar também para reduzir os preços do serviço, na tentativa de popularizar essa tecnologia no Brasil.
A TIM, cuja rede 3G cobre cerca de 50 cidades (do total de mais de 2.900 municípios atendidos no país), a maioria capitais e regiões metropolitanas, desde março oferece um serviço de internet móvel pré-paga, com preço fixo por dia de uso. O interessado compra um pacote para utilizar o serviço por até 24 horas, no limite máximo de consumo de 250 Mb. Em julho, o valor do pacote era de R$ 5,00 – fora o custo do minimodem, de R$ 299,00. Como no modelo pré-pago de voz, as recargas podem ser feitas por meio de cartões físicos ou eletrônicos, de bancos ou cartões de crédito, ou ainda em estabelecimentos autorizados a realizar essa operação.
A Claro, que oferece serviços 3G em mais de 380 municípios brasileiros (incluindo regiões suburbanas e cidades do interior), também promete lançar, neste segundo semestre, a banda larga pré-paga para quem tem o seu minimodem. “O objetivo é atender as pessoas que não podem pagar um valor fixo mensal”, diz Fiamma, da Claro. “Dessa forma, o usuário poderá comprar créditos e usar a internet de acordo com a sua necessidade”. Já a Oi, que tem rede 3G em 157 municípios, permite a “degustação” gratuita do minimodem pelo período de dois meses. “Além disso, como no celular, a política da Oi é dar liberdade ao cliente”, afirma Roberto Guenzburguer, diretor de Segmentos da operadora. “Assim, nosso minimodem é desbloqueado e também não cobramos multa, mesmo se o cliente desistir do uso um mês depois.”
A Vivo, que tem a maior cobertura 3G do país (no início de agosto, eram cerca de 500 municípios atendidos), vem apostando em parcerias com fabricantes de equipamentos para ampliar o uso de seu serviço de banda larga móvel. Uma delas, fechada com a Positivo Informática, permite que os usuários que comprarem computadores dessa marca – inclusive desktops – recebam gratuitamente o minimodem da Vivo. Outro acordo, também com a Positivo, dá 90 dias de acesso grátis ilimitado ao seu serviço de internet móvel para os usuários que adquirirem o netbook Mobo 3G – que vem com o modem de terceira geração embutido.
Além disso, a operadora também quer popularizar o smartphone 3G no país. Com esse objetivo, em junho, lançou uma campanha promocional, válida em todo o Brasil, pela qual o usuário podia contratar um plano de voz e dados, pagando até R$ 99 por mês, e levar o smartphone de graça (com opção de escolher entre dois modelos disponíveis). “A intenção é quebrar a barreira do custo e massificar o uso desse aparelho”, explica Fábio Freitas. Mas e as aplicações 3G? Segundo as operadoras, a principal aplicação é o próprio acesso móvel à internet em alta velocidade – e a redes sociais, sites de compartilhamento de vídeos, fotos, músicas, etc. Mais do que isso, a expectativa é de que, na medida em que os custos baixarem, essa poderá ser, de fato, uma opção de banda larga nas localidades onde a rede fixa, de cabos telefônicos ou coaxiais (das emissoras de TV por assinatura), não está disponível.
“Com a oferta de serviços como a banda larga pré-paga, o 3G deverá ganhar impulso no Brasil e permitir o acesso da população de baixa renda à internet”, afirma Massayuki Fujimoto, superintendente de Internet do Citi e membro de um grupo de trabalho da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que vem discutindo como aumentar a bancarização no país. Segundo ele, com o 3G, será possível instalar lanhouses e telecentros em favelas e regiões sem infraestrutura fixa de banda larga – e, assim, oferecer serviços bancários pela internet aos moradores dessas localidades.
“As redes 3G também poderão ajudar a ampliar a automação comercial, ao atingir o pequeno varejo e até mesmo bancas de jornais, por exemplo, além de expandir a rede de correspondentes bancários, onde as pessoas podem pagar contas de água, luz, etc.”, acrescenta Fujimoto. Outra aplicação possível oferecida pela tecnologia móvel – não necessariamente 3G – é a conta virtual. “Funciona como uma conta corrente ou um cartão de crédito, associados ao número do celular”, explica o diretor do Citi. Ele diz que, em países como a África do Sul, já existem aplicações que permitem que a população de baixa renda, sem acesso a serviços bancários, utilize o celular como conta virtual, tanto para receber dinheiro como para efetuar pagamentos. “A tecnologia está pronta para isso e a aplicação até já existe”, avisa. “No Brasil, entretanto, falta a regulamentação desse tipo de conta simplificada, além de acordos entre os envolvidos – bancos, empresas de cartão de crédito, operadoras celulares e governo.”
Na área de governo eletrônico, o 3G também abre a possibilidade de introdução de uma série de novos serviços. Álvaro Gregorio, consultor do Grupo de Apoio Técnico à Inovação (GATI), do governo do Estado de São Paulo, cita alguns exemplos de projetos de serviços públicos baseados em 3G que, no entanto, não chegaram a ser implantados – ou não tiveram continuidade. Um deles, concebido há cerca de três anos, com o nome de Perto de Você, tinha a finalidade de permitir a consulta a informações sobre a localização de serviços básicos como hospitais, pronto-socorros e delegacias, entre outros. “A ideia era que, por meio do navegador ou de um programinha simples e fácil de ser desenvolvido, o usuário pudesse ver na tela do celular os serviços existentes num raio próximo à sua localização, determinada pelo GPS, por exemplo”, conta Gregorio. Mas o programa não chegou a ser desenvolvido, nem o projeto foi implantado. Para Gregorio, em vez de adaptar portais e conteúdos disponíveis na internet para o celular, é necessário ter aplicações adequadas ao ambiente móvel, criadas especificamente para essa plataforma.
É o que vêm fazendo os institutos mantidos pelas operadoras celulares com foco no apoio ao desenvolvimento de aplicações sociais. “É preciso saber o que fazer com a tecnologia do ponto de vista social”, pondera Samara Werner, do Oi Futuro. Segundo ela, apesar de ainda serem poucos no Brasil, projetos como o WikiMapa são importantes para o teste e o desenvolvimento de metodologias que poderão ser aplicadas em larga escala, quando a tecnologia estiver disponível para a maioria da população. “O 3G pode ter um papel importante no país, em áreas básicas como saúde e educação”, diz Samara. “Com o aumento da velocidade, é possível ter aplicações educacionais com transmissão de imagens e vídeos, capazes de encantar e atrair muito mais usuários.”
Com o foco voltado para a educação, o Instituto Claro, criado em março deste ano, vem estimulando projetos que utilizem novas tecnologias para estimular a aprendizagem. Com esse objetivo, lançou o Premio Instituto Claro – Novas formas de aprender, aberto à participação de educadores, estudantes, escolas, universidades e ONGs interessados em inscrever seus projetos. Além disso, mantém o festival de curtas-metragens Claro Curtas, que tem a finalidade de incentivar a produção audiovisual sobre temas sociais no país, reconhecendo as manifestações culturais e respeitando as diferentes características regionais, e ainda de promover workshops para a capacitação de jovens brasileiros.
O Instituto Vivo também aposta no desenvolvimento de uma nova educação, por meio da sociedade em rede e da tecnologia móvel. Desde 2007, o instituto apóia o projeto Telinha de Cinema, desenvolvido pela ONG Casa da Árvore, no Tocantins, com o objetivo inicial de estimular a produção de vídeos de bolso, com a câmera do celular, por jovens de comunidades carentes de Palmas. Atualmente, o núcleo de Palmas dispõe de seis celulares 3G e está iniciando um novo projeto, batizado de Empreendedorismo e Inovação. “A ideia é aproveitar os jovens já capacitados, com formação técnica básica, para produzir conteúdo multimídia para o mercado cultural e para empresas, usando recursos como a transmissão em streaming de áudio e vídeo”, adianta Aluísio Cavalcante, da ONG Casa da Árvore. Ele conta que a primeira experiência nesse sentido foi feita em julho, durante uma oficina realizada em uma escola de Palmas, que envolveu alunos, pais, professores e funcionários da escola. Usando um celular 3G (modelo Nokia N95), o grupo gravou cenas em vídeo de uma história que ele mesmo criou, fez a edição – no próprio aparelho – e depois transmitiu para um blog, usando a conexão de banda larga móvel. No início de agosto, a metodologia do Telinha de Cinema passou a ser utilizada também em duas escolas da rede estadual de Rondônia, que estão servindo de piloto para o projeto Telinha na Escola. Fruto da parceria entre a Secretaria Estadual de Educação de Rondônia, o Instituto Vivo e a ONG Casa da Árvore, o projeto destina-se a incentivar professores e alunos a produzirem conteúdo pedagógico com o celular – para isso, as escolas receberam seis aparelhos 3G –, de modo a enriquecer as aulas com vídeos, imagens e outros recursos multimídia.
Outro projeto nessa linha, que também conta com o patrocínio do Instituto Vivo, é o Minha Vida Mobile (MVMOB). Iniciado em Minas Gerais, o projeto consiste na realização de oficinas pedagógicas, reunindo professores, gestores de escolas e estudantes do ensino médio, que juntos produzem conteúdos multimídia (com vídeos, fotos e áudio) utilizando o celular. Segundo Wagner Merije, coordenador geral do MVMOB, nessas oficinas são usados aparelhos de diferentes marcas e tecnologias – inclusive modelos 3G mais sofisticados. “Em muitas escolas, ainda faltam computadores e as conexões à internet são raras”, afirma Merije. “A galera nova, que a gente batizou de ‘Geração Mobile’, quer mais acesso, mais funcionalidades, e tem que ser por um bom custo-benefício. Isso é que vai fazer o 3G acontecer de fato.”

Projeto Wikimapa recebe prêmio especial MundoGEO#Connect 2014

Por admin

O Projeto Wikimapa recebeu o Prêmio Especial “Excelência em Mapas Colaborativos” durante o MundoGEO#Connect LatinAmerica 2014, evento realizado no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP).

O Prêmio MundoGEO#Connect é realizado desde 2011, reconhecendo pessoas, instituições e empresas que se destacaram e contribuíram para o desenvolvimento do mercado de geotecnologias. A cerimônia de premiação, que neste ano entregou 30 troféus para diferentes categorias, aconteceu no final do segundo dia do evento.

Wikimapa recebe prêmio especial "Excelência em Mapas Colaborativos"

Wikimapa recebe prêmio especial "Excelência em Mapas Colaborativos"

Nas palavras de Natalia Aisengart Santos e Patricia Azevedo

Por admin

O Programa Rede Jovem está lançando o documentário Todo mapa tem um discurso em que parte das reflexões surgidas dentro do trabalho de 5 anos do Projeto Wikimapa são apresentadas. No dia do lançamento, 29/04, Natalia Ainsergart Santos, uma das coordenadoras do projeto, escreveu algumas palavras sobre este novo momento. O espaço do nosso blog dá voz aos wikirrepórteres e ações do território, porém, acreditamos que este é post que deve se misturar ao nosso arsenal afetivo. Lá vai!

Natalia Aisengart Santos e Patricia Azevedo - Diretoras da Rede Jovem
Natalia Ainsengart Santos e Patricia Azevedo – Diretoras da Rede Jovem

“Estar aqui hoje é um grande acontecimento para nós! É o fruto e resultado de um trabalho que desenvolvemos desde 2009, quando lançamos o projeto Wikimapa e começamos a despertar para a questão da discrepância que existe entre a geografia real e a oficial. Nós trabalhamos com juventude e tecnologia desde o ano 2000 e o projeto Wikimapa foi uma evolução do trabalho que começamos a desenvolver com tecnologia móvel para a produção colaborativa de conteúdo em 2006, com o 0800 Rede Jovem.

Com o Wikimapa nós nos deparamos com uma realidade muito perversa,  das favelas não estarem inseridas no mapa da cidade. A ideia inicial era utilizar a cartografia virtual existente para estimular a marcação de pontos de interesse e inserir os jovens moradores das favelas, com quem desde 2000 trabalhamos, para que pudessem produzir o mapa sob a ótica deles, destacando os recursos e ativos existentes. O mote era fugir dos mapas da violência e os mapas do estigma e mostrar o que de bom a favela tem a oferecer. Desmistificar a ideia de que o que é bom só é encontrado no asfalto, continuamente reproduzida pelos jovens residentes das comunidades. Mas como fazer tal marcação, apontar aonde ficam as praças, as padarias, as escolas, o posto de saúde e as ongs se as ruas não são registradas e, portanto, nao aparecem nos mapas virtuais?! Como inserir esta juventude na lógica colaborativa mobile se não era possível estar identificado no mapa da cidade e se considerar parte dela? Então, o escopo original foi alterado, pra que incluímos a funcionalidade de mapeamento de ruas, para depois proceder com a marcação.. tanto pelo site quanto pelo aplicativo móvel integrado ao site!

Costumamos dizer e foi assim que o Wikimapa foi sendo conhecido que nossa ideia nunca foi produzir o mapa da favela e, sim, inserir a favela no mapa.

Quando começamos este trabalho, em 2009, isto era uma grande novidade.. de fato, as áreas ocupadas por favelas apareciam como borrões verdes ou áreas cinzas nos mapas virtuais mais utilizados.. E, por isto e por todo o sucesso que obtivemos com a etapa piloto, de teste da metodologia e da tecnologia que criamos, o ano de 2010 foi um ano de grandes conquistas e de grande repercussão. O Wikimapa recebeu importantes prêmios, no âmbito nacional e internacional e ganhamos folego, novos parceiros e financiadores, para dar continuidade ao trabalho de mapeamento colaborativo que desenvolvemos, tendo como principais atores os wikirreporteres, jovens moradores das comunidades em que atuamos, que tinham como principal ferramenta de trabalho um telefone celular equipado com GPS e contando com o aplicativo Wikimapa, para percorrerem as ruas das comunidades e cadastrar os pontos, ruas, becos e vielas, para mostrar ao mundo e permitir acessi à informações do que a favela tem a oferecer!

A partir de 2011 começamos a voltar pra alguns territórios em que já tínhamos iniciado o mapeamento e isto foi iniciado com o mapeamento de todo o Complexo do Alemão, com uma grande equipe de jovens wikirreporteres, espalhados pelas 16 subcomunidades do Alemão! A partir de então.. expandimos o projeto para o Complexo da Penha, voltamos para a Cidade de Deus e pata a Maré, fomos para a Rocinha, Mangueira e saímos da cidadão do Rio de Janeiro pela primeira vez. Em 2013 o Wikimapa foi implementado em Morro Agudo, Nova Iguaçu, indo pata a baixada Fluminense e para São Paulo, no Capão Redondo.

Ao longo desta trajetória, de implementação do projeto neste territórios e de realização do mapeamento colaborativo nestas áreas, fomos nos deparando com uma série de questões, tanto de necessidades e demandas espontâneas e investir na melhoria da tecnologia, quanto de reflexões sobre questões básicas e graves de cidadania que precisavam ser apresentadas e amplamente debatidas… E por isto hoje estamos aqui!”

Patrícia Azevedo também escreveu algumas palavras, pensando sobre a continuidade das ações e a produção do documentário. “É uma nova fase que se inicia na Programa Rede Jovem e no Projeto Wikimapa e temos certeza que muitos frutos surgirão desse trabalho feito com pouquíssima grana e muito amor, por pessoas que acreditam em uma sociedade mais conectada, mais igual, que gentilmente cederam seu tempo em nome da crianção de elos que encurtem distâncias e dando voz a todos os discursos que encontramos enquanto ajudamos tantas comunidades a serem inseridas no grande mapa das cidades! Lançamos, então, o desafio a novos parceiros e financiadores que desejem se juntar a nós e dar voz a tantos outros discursos escondidos atrás desse mapa!”

Para os que não foram no lançamento, ficamos aqui com estas palavras! E sigam as novidades que já estão bombando!

www.facebook.com/programaredejovem
www.facebook.com/projetowikimapa
http://todomapatemumdiscurso.wordpress.com/
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=q6wxVsxqhSo&feature=youtu.be

A periferia também quer uma vida sem catracas

Por Andreza Delgado

A Semana do dia 19 a 25 de outubro, foi uma semana de lutas e atividades na periferia, a luta por um transporte digno, sem tarifa e sem cortes nas linhas de ônibus, tem sido construída na perifa , protestos no M’ BOI MIRIM, CAMPO LIMPO e GRAJAÚ marcaram essa semana, a população tem vivido uma onda de cortes em linhas muito importante, terminais super lotados, o suor de cada dia gerando lucro e mais lucro para os empresários do transporte, que para variar não dão  a mínima para a situação dos usuários.

As catracas sejam elas dos terminais, Grajaú, Campo Limpo, Capelinha, Varginha, Santo Amaro e tantos outros da zona Sul ou dos ônibus, tem sido sim um fator de exclusão da população da periferia, mas um dos fatores que desencadeiam essa luta são os cortes de linhas importantes para o trabalhador, o sufoco de ter que parar em um terminal para girar a catraca novamente, pagar outra condução, ter que passar por mais uma etapa desnecessária para chegar ao seu trabalho, escola, curso.

Ato Grajaú

Infelizmente como visto em junho, com a luta se vem a repressão da parte daqueles que estão ai para servir e proteger, o protesto no Grajaú (dia 23) e no Centro (dia 25) foi marcado por muita violência e repressão da parte da PM, que prendeu inúmeras pessoas sem motivo plausível, moradores do Grajaú, crianças, integrantes do movimento passe livre e da rede extremo sul, até a bateria  que tocava no protesto foi detida e teve seus instrumentos quebrados.

Ato no Centro

Mas a  periferia não desiste tão fácil, infelizmente essa repressão não é novidade nenhuma, e como diz o poeta periférico Sérgio Vaz, aqui a bala não é de borracha, mas nós mandamos um recado para o senhor Alckimin e Haddad, quem derrubou o aumento da  tarifa, vai duplicar na M’ BOI, vai ter suas linhas de volta e tirar os termais que mais empata do que ajuda.

A perifa também quer uma vida sem catracas.

FONTES:
Luta pelo transporte extremo Sul
CMI- Brasil

Sobre o Autor: Andreza foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.

Conheça a wikirrepórter que mais se destacou na expansão Wikimapa 2013

Por admin

“Não acho que eu deva fazer parte do mapa oficial, todos devem fazer.”

Suellen Casticini tem 23 anos, é moradora de Morro Agudo, foi wikirrepórter no ano de 2013 para o Projeto Wikimapa e atualmente cursa Direção Teatral na UFRJ. Seu trabalho foi o  destaque desta fase do Projeto, juntamente com Léo da Treze também de Morro Agudo, Roberta Moura da Cidade de Deus e Thaís Cavalcanti da Maré. Em homenagem à sua dedicação, foi presenteada com o telefone celular utilizado para o mapeamento e uma caixa feita especialmente para ela.

Suellen – Conheci o Projeto Wikimapa através de uma rede social, (Facebook). Onde circulava um folder da seleção para wikirreportes do meu bairro, fiquei muito interessada com o projeto e resolvi enviar meus dados para a seleção, e aqui estamos.

Como começou sua história em Morro Agudo?

Suellen – Ao completar um ano de vida, meu pai resolveu presentear minha mãe com a tão sonhada moradia. Sou cria deste bairro desde então. Com o convívio direto com moradores da época do surgimento do bairro, conheci muitas histórias e particularidades daqui. Já na adolescência fiz meu Ensino Médio em uma escola estadual do local, onde conheci muitas pessoas e na qual foi importantíssima na minha formação e me colocou hoje na tão sonhada universidade federal. Ainda moro aqui, e não acredito que morarei em outro lugar, pois aqui é a minha casa.

Se pudesse prever, como seria o futuro de onde você mora?

Suellen – Acredito que o futuro não será agradável. Pode parecer pessimismo, e de alguma forma é, mas se eu pudesse prever. Penso que perderemos essa liberdade, na qual eu e meus amigos de infância tivemos, isso hoje por aqui já é algo raro. Os políticos, ao pacificar o centro e as zonas elitizadas, pensam em seu bem estar. Pois ao invés de combater o trafico e eliminá-lo, a meu ver, eles só remanejaram o traficante e seus crimes para a baixada, conseqüentemente maquiou o problema e veremos esses frutos no futuro.

Como você vê a representação que a mídia nacional faz do seu terrítório? E o cinema que, por sua vez, possui alcance internacional?

Suellen – Para a mídia o meu bairro não existe, ouço todos os dias nos noticiários assim: “mais um roubo/estupro/etc em bairro de Nova Iguaçu”, descubro que é meu bairro pelas letras miúdas que vem abaixo do nome do repórter. Ninguém sabe que aqui tem coisas boas também, temos cachoeiras, festas, costumes e até um vulcão, mas para a mídia o que vendo é “desgraças de um lugar desgraçado”. Por sua vez, o cinema, CINEMA? Isso nunca retratou uma estória, um fragmento desse bairro, mas até é justificado, um cineasta só se interessa falar o que conhece e gosta, e quantos cineastas são desse bairro? Município? Eu respondo, NENHUM!

Qual a sua visão do papel do Wikimapa diante das mudanças do seu território?

O projeto Wikimapa é uma ferramenta de disseminação, por possuir um público muito extenso. Pode dar a visibilidade e a importância que meu bairro precisa. Assim, incomodando aos que não se interessam por contar nossa história e a mudando o pensamento dos gestores publico para nos dá mais infra-estrutura, segurança e no mais que precisarmos.

Porque você acha que você deve fazer parte do mapa oficial?

Não acho que eu deva fazer parte do mapa oficial, todos devem fazer. Vivemos num país de liberdade de escolha e de expressão na teoria, enquanto a realidade na prática é outra, nesse país valemos o que possuímos, ou melhor, o que aparentamos possuir, ou contrário que somos. Acredito que essas iniciativas sociais ajudam a quebrar preconceitos e a trazer uma identidade de seres humanos e com direitos e respeitos como todos, Por isso penso que está no mapa, ser localizado é um direito de todos.

Alguém de fora da cidade deseja conhecer sua comunidade/bairro em um dia. O que você escolheria para mostrar? E por quê?

Se um “turista” viesse ao meu bairro, eu subiria com ele a SERRA DO VULCÃO e iria propor ele três possíveis passeios: 1ª) Uma CAMINHADA ECOLÓGICA QUE TERMINARIA NO PICO DO VULCÃO, 2ª) Ou que terminaria em CACHOEIRAS maravilhosas, e 3ª) Um VÔO de asa delta.Levaria ele lá, para mostrar esse lado bonito e paradisíaco que meu bairro possui, e tenho certeza que seria inesquecível.

A UPP já chegou no seu terrítório?

Não, E nem há previsão de vinda de UPP para onde eu moro, algo estranho pois segundo estudo recente Nova Iguaçu, consequentemente Morro Agudo é a terceira cidade onde morre mais negros e pardos do país. E para piorar, a pacificação das comunidades no Centro, está trazendo esses meliantes para a baixada, aumentando cada vez mais a criminalidade no meu bairro. Será que terão a mesma preocupação aqui, como têm no Centro? Acredito que todos nós sabemos a resposta, quem se preocupa como trabalhador.

Negra Livre

Por Andreza Delgado

Negra e Livre

Eu, mulher, mulher negra.
Negra Livre.
Livre dos senhorios.
Livre do tronco e de seus castigos.
Livre com meu cabelo crespo, e lábios grossos.
Que minha cor não seja mais sexualizada
Que meu cabelo crespo não seja motivo para ser perseguida.
Livre do machismo, livre do racismo.
Eu, mulher, mulher negra quero estar livre de todas as amarras do capital.
Eu, mulher, mulher negra não sou mercadoria.
Eu, mulher, mulher negra e livre.

Sobre o Autor: Andreza foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.

Jd. Rosana

Por Tainá Gomes

Como podem falar que podemos se sentir seguro nas nossas escolas?
é professores querendo dar aulas e alunos sem interesse algum
a forma poderia mudar pós sempre são as mesmas coisas todos os anos
talvez com este desabafo algo mude, ou não…
queremos aulas que dê vontade de interagir
professores com vontade de ensinar
que vá com bom humor, sem trazer problemas pessoais para nossa aula
se fosse assim as aulas seriam melhores nossos desempenho seria melhor também
APOSTILAS ? mal usamos, só são menos arvores e menos conteúdos
nem os professores conseguem entender oque se tem nas apostilas, por isso nem usam…
queremos do bom e do melhor, não é porque somos da periferia, que devemos nós contentar
com o pouco que nós dão, somos iguais a aqueles que estão em colégios particulares
recebendo um melhor ensino, os melhores uniformes e um ótimo material
QUEREMOS SER VISTOS!

Sobre o Autor: Tainá foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo em 2013.

Resgatando a História do Jardim Ângela e Região

Por Juliana Santos

Conhecer a história da região em que moram, hoje, denominada como o distrito da M`Boi Mirim ou Jardim Ângela. Refletir sobre os pressupostos dos diversos acontecimentos que envolvem o mundo passado e presente. Assim como aprofundar a compreensão e identificação dos acontecimentos históricos, cultural, político e econômico da nossa sociedade. Será permitido o aprofundamento destes estudos e novas conclusões sobre o que se esconde em seus atos como agente social.

Dessa forma, levando o educando a encontrar formas pessoais e coletivas de ações humanitárias com direito a cidadania, com respeitos as diferenças, valorizando as ações humanas do passado e presente, contra as desigualdades e discriminações de qualquer ordem.

Compreender as contribuições e compromissos do significado social, analisando as ações dos antigos moradores da Vila Remo e região, na busca por melhorias nos seus bairros ou comunidades, quando sua existência é encarada como missão. Assumir a própria existência e entender como fundamental reposta à promoção de todo aspecto verdadeiro humano e o reconhecimento de todas as pessoas numa verdadeira fraternidade.

DADOS GERAIS


Unidade de Planejamento Participativo 253

Distrito JARDIM ÂNGELA

Subprefeitura M´ BOI MIRIM

Sub-UPPs, 25301, 25302, 25303, 25304, 25305,

Área 4.58 km²

Densidade populacional 15.408.08 habitantes/ha²

Principais Referências Av. Alexandrina Malisano De Lima, Estr. M Boi-Mirim, Estr. Guavirutuba Jurisdição do Conselho Tutelar MBOI MIRIM Jurisdição da Vara da Infância e Juventude: II – Santo Amaro

Sobre o Autor: Juliana foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.

Por Andreza Delgado

Decidir não escrever muito hoje, decidir deixar uma letra de um RAP decifrar um pouco do que sinto com algumas questões aqui no Capão  e em tantas outras quebradas …

“Cada lugar uma lei eu tô ligado
Mas no extremo sul da Zona Sul tá tudo errado
Aqui vale muito pouco a sua vida
Nossa lei é falha, violenta e suicida
Se diz que não se revela
Parágrafo primeiro na lei da favela, legal
Assustador é quando se descobre que tudo deu em nada
E que só morre pobre
Agente vive se matando irmão. Por quê?
Não me olhe assim eu sou igual a você
Descanse o seu gatilho, descanse o seu gatilho
Entre no trem da malandragem
Meu rap é o trilho”

Fórmula Mágica da Paz, Racionais MC’s

Sobre o Autor: Andreza foi wikirrepórter do Projeto Wikimapa no Capão Redondo em São Paulo.

Maravilhosa pra quem?

Por wikimapa

“Rio pra Pan, Olimpíada e Copa, cadê o Rio para o Carioca?”

O Rio pra Quem surgiu com a necessidade de nós do Carta na Manga criarmos um canal de comunicação com a classe artística e com a juventude disposta a discutir o projeto de cidade do Rio de Janeiro.

Nossa proposta é criar um espaço participativo que vá além da exposição do trabalho artístico. O lance aqui é criar uma plataforma plural de vozes onde trocaremos idéias com pessoas sensíveis às mudanças que estão sendo implementadas na cidade. Afinal fazer arte independente num lugar cada vez mais desigual, segregado, autoritário e inflacionado pra caramba é extremamente difícil.

Aí pra não ficarmos resmungando sozinhos, resolvemos nos movimentar a fim de criar mais intercessões com a juventude da cidade, além de denunciar certas medidas que passam por cima dos direitos da população.

Sobre o Autor: O WIKIMAPA é um mapa virtual colaborativo voltado para o mapeamento de locais de interesse público (hospitais, escolas, comércios, praças, quadras esportivas, restaurantes, bares, entre outros) em comunidades de baixa renda e em quaisquer outros lugares do Brasil e do mundo, alimentado pelos mais diversos participantes, por meio do telefone celular ou internet.